A qualidade final de um produto depende diretamente de um projeto bem-feito e de um processo de execução consistente.Falhas de projeto comprometem a experiência do cliente, independentemente da produção. Quando conceito, instruções, materiais e tolerâncias são planejados com rigor, a qualidade se torna resultado natural do sistema. 

Imagem mostrando o produto montado, alguns componentes e uma página do manual de instruções.

Fazendo a qualidade acontecer

O sucesso de um produto ou serviço está diretamente ligado a dois componentes principais, seu projeto e sua execução. O projeto define o conceito, baseado nas necessidades e expectativas do cliente, e o transforma em especificações do produto ou serviço a ser fornecido. A execução ou produção transforma estas especificações no produto ou serviço real que adquirimos e utilizamos.

A qualidade percebida pelo cliente ou usuário é, portanto, consequência da composição desses dois componentes onde o projeto é a base e fator fundamental do sucesso. Isto significa que uma falha de projeto irá sempre causar a insatisfação do consumidor, independentemente de aspectos relacionados com a produção do produto.

Tomemos o exemplo de uma simples panela de cozinha, cujo projeto especifica um material para confecção do cabo com um baixo fator de isolamento de calor. Em outras palavras, este produto quando levado ao fogo, em pouco tempo apresenta aquecimento do cabo de tal forma que o usuário pode se ferir durante seu manuseio. Um defeito causado por um erro de projeto do produto e que compromete sua segurança, funcionabilidade e a qualidade.

Um caso exemplar

Toda essa questão sobre a importância do projeto, e isso inclui tanto o projeto do produto como o projeto do processo para sua execução, me veio à mente durante uma experiência recente que tive ao montar um modelo plástico do conceito de um motor V8. Montagem de modelos é um hobby que adquiri desde os tempos de adolescência e que foi reforçada pela minha formação em engenharia mecânica. Neste caso em particular, o desafio era a montagem de um motor conceito sem a utilização de cola ou pintura como as que havia executado em modelos em escala de aviões e navios, um modelo em que as 478 peças se associam apenas através de encaixes.

Faço um parêntese neste instante para dizer que não se trata de um “review” ou “merchandising” do produto e que não tenho qualquer relação comercial ou profissional com o fabricante ou revendedor deste modelo. Apenas fiquei (bem) impressionado com alguns aspectos relacionados com o tema que estamos tratando neste comentário e que gostaria de compartilhar com vocês.

O primeiro é relacionado com o feliz conceito de mostrar um conjunto cuja estética e movimentação toma ares de um potente motor, sem a pretensão de ser uma cópia em escala de um verdadeiro V8, a partir de componentes de geometria mais simples, a grande maioria, e algumas peças mais especificas como pistões, bielas, engrenagens e cia.

O segundo aspecto, e é preciso colocarmo-nos na posição do projetista, foi focar em um produto que possa ser montado por um não-especialista, marinheiro de primeira viagem, assessorado apenas por um manual de instruções. Nesse quesito, um dos conceitos nota dez é a concepção do uso intensivo de componentes simétricos e do uso de peças com cores diferentes, uma vez que as peças não são numeradas e já vem todas soltas, diferente dos kits de montagem em que as peças plásticas vem presas em arvores para serem destacadas no momento de uso. Dá para deduzir que o uso intensivo de análise de risco foi aplicado nas diferentes etapas do processo, para assegurar uma montagem à prova de erros.

Em terceiro lugar, aplausos para o manual de instruções, que sem mencionar uma única palavra, consegue mostrar com bons gráficos a ordem e posição de montagem das peças, identificadas pelas suas respectivas cores. Traz ainda, nos casos necessários, figuras em escala 1:1 para evitar o uso indevido de peças similares, porém de comprimentos diferentes – de novo, análise de risco em ação.

As últimas menções positivas vão para a definição das tolerâncias dimensionais adotadas e obtidas durante a moldagem das peças que asseguram encaixes justos dos componentes – requisito fundamental neste produto, para o projeto de processo de moldagem nota dez, assegurando peças com ótimo acabamento e nenhuma rebarba, e também para o sistema que garantiu que mesmo em um kit com quase 500 peças pequenas e soltas, não faltasse nenhuma.

A qualidade final de um produto ou serviço não é resultado do acaso. Ela é fruto de planejamento, disciplina e integração entre projeto e processo. Entender essa relação permite que a organização construa soluções mais robustas, competitivas e alinhadas às necessidades do cliente. Se você está interessado em melhorar seus processos de projeto e desenvolver novas técnicas e ferramentas, conheça o nosso programa PASS clicando aqui ou fale diretamente conosco.

 

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